segunda-feira, 8 de outubro de 2007

corte lateral

projeção de uma realidade paralela
onde as paredes são feitas de carne pulsante
e é tudo degradado e corroído
onde você tem que lidar com o pior inimigo que existe
o interior da sua mente
seus medos e fobias te perseguindo por ruas cobertas de neblina densa
aquele som de lamentações e choro incessante
os sinos de uma igreja que não páram, não páram de tocar
por mais que tente se esconder
estará lá, latente e letal
a morte potencial
da mente inerte
um vazio, um hiato
onde antes havia a consciência
agora despida daquela decência hipócrita
exposta e abandonada, uiva por companhia
e é este som que te atormenta em noites infindáveis
as noites da alma
sob sua pele, mas fora das suas mãos
atrás dos seus olhos, tão perto e tão longe
eclipse apocalíptico demanda um sacrifício valioso
mas o que você entregará, se nada tem
em algum lugar, num cemitério, num hospital psiquiátrico
vagando entorpecida numa cadeira de rodas
ao som de sirenes e ventiladores
os odores já não incomodam tanto, dopada que está por formol
e cloridrato de fluoxetina
amanhã, e ontem, só que nunca mais, por hoje
naquelas ruas por onde vagam as agonias
e esta sensação de culpa que sufoca
(mentira e silêncio)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

o dobro

passou-se 2 vezes o que foi antes, e sobrou sequer a metade.

mas vai ficar tudo bem.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Retroalimentação

As batidas do seu coração ainda ecoam na minha mente. Me fazem lembrar do que eu tive, e do que perdi. Essas lembranças presas nesta cela de ossos consomem o oxigênio e a energia, e potencializa o cansaço... se ao menos soubesse como me livrar desta síndrome de Estocolmo que sinto em relação a você, até hoje...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

1 mês

como o tempo passa e aprendemos cada vez mais, humilhação e sacanagem já fizeram demais, desenganados pelo próprio tempo, uma ferida, era uma árvore tão cheia e hoje está despida...

foi tudo em vão...?

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Um lugar e um tempo para se voltar

Já faz tanto tempo que não dá mais para saber se os olhares seriam os mesmos - provavelmente não. Questiono imagino inclusive como seria a expressão corporal, se ocorresse de um dia estarmos frente a frente outra vez.

As coisas andam atribuladas... mas procuro conforto nas lembranças de uma época na qual me foi concedida uma honra magnífica. Sempre que penso que finalmente superei, algo acontece que me remete novamente àquele tempo em que, apesar de tudo, havia entendimento e apoio mútuo. Procuro tentar acreditar que não existem pessoas insubstituíveis, apenas insubstituídas, só que falho nisso.

Uns diriam se tratar de caso patológico, outros apenas olhariam com desprezo. Mas ainda sustento, paciente, como um bunker no meio da Antártida. Espero pelo teu sinal de resgate...

quinta-feira, 26 de julho de 2007

bin gleich züruck - wenn sie wollen

So you said that
I shall try to go on

I've seen your eyes
They shined like stars to me
And then I saw your soul
An empty hall

Kissing you was like
Kissing the past
I felt like giving in

I felt like
Being a part of something
Something I was always
trying to achieve
I felt like
Being a part of something
Something that lasts

I've seen your ways
They sometimes took me
By surprise
And then I saw your aim
A ... lunatic

Touching you was like
Touching a flame
I felt like giving in

I felt like ...

And I need love
Like I never needed love before ...

---

você disse "vai" e eu fui... não completamente, pois você
sabe que sempre penso em ti...

---

No fim da verdade
No fim da luz
No fim do amor
No fim - existe você
Nada sobreviveu
Nós nos separamos silenciosamente há muito tempo
E com o dia a dia de 'nós'
A mentira do nosso amor cresceu
E quanto mais nós percorremos nossos caminhos juntos
tanto mais nós nos distanciamos

Sozinhos - Juntos
Nós nos esquecemos como procurar um ao outro
Hábito obscurece a visão
Letargia sufoca os sentidos
Orgulho intoxica a mente

E se eu tivesse que encontrar forças e esperança
Se eu ainda tiver fé em nós dois
Se eu pudesse conseguir a ligação com ela
Se eu pudesse tê-la uma vez mais para mim
Se pudéssemos retornar ao básico - nossas fundações
Se pudéssemos nos redescobrir outra vez
Se ao menos ela quisesse
Eu faria!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Irreversível

E eu que falei "nem pensar", agora me arrependo, roendo as unhas - frágeis testemunhas de um crime sem perdão... mas eu que falei sem pensar, coração na mão como o refrão de um bolero, fui sincero como não se pode ser. Um erro assim, tão vulgar, nos persegue a noite inteira e quando acaba a bebedeira ele consegue nos achar num bar com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e uma cara embriagada no espelho do banheiro...

Se não nesta vida, só resta então esperar até a próxima, quando talvez você perdoe o que puder ser perdoado e esqueça o que não tiver perdão - meus erros e falhas, e mentiras travestidas de verdades, traiçoeiras falsidades que cobraram um tributo alto no fim.

Até hoje me surpreendo imaginando o "e se"...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

ponto parágrafo

(carrapato foi embora)

sábado, 14 de julho de 2007

verde-oliva

Acho que só entende mesmo quem faz ou fez parte de uma cultura impopular que preza por honra, lealdade e compromisso...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

graf spee

fim de noite, início de dia, fim de relacionamento, aurora de agonia, fim de papo, fim de jogo, um ciclo que se fecha (para aqueles que gostam de gestalt).

o colchão, que era tão pequeno, não acaba mais.

se você conhecesse o lado de lá, ainda assim construiria uma ponte?

segunda-feira, 2 de julho de 2007

paralelos com Maquiavel

Wars begin where you will.

But they do not end where you please.

domingo, 1 de julho de 2007

desejos e mudanças

proteja-me daquilo que eu quero.

outra forma de falar pra se ter cuidado com o que se deseja...

---

de mudança, finalmente. apesar de não saber ainda pra onde, a certeza de que o teatro de fantoches acabou veio. meio a queima-roupa, mas tá valendo - pois já estava na hora de passarinho sair do ninho em definitivo.

e quem sabe, até o início do ano que vem eu consiga mudar de fuso horário, me adiantando em algumas horas em relação a greenwich...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

23

como diria.

amanhã é 23, são 8 dias para o fim do mês, há tanto tempo que não te vejo, queria teu beijo outra vez...

mude de apartamento, mude de vida, continue apática e anti-social.

mas ouça a música da colina silenciosa - e perceba o óbvio.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Música da colina silenciosa

"You're not here"

Blue sky to forever,
The green grass blows in the wind, dancing
It would be much better a sight with you, with me,
If you hadn't met me, I'd be fine on my own, baby,
I never felt so lonely, then you came along,

So now what should I do, I'm strung out, addicted to you,
My body it aches, now that you're gone,
My supply fell through,

You gladly gave me everything you had and more,
You craved my happiness,
When you make me feel joy it makes you smile,
But now I feel your stress,
Love was never meant to be such a crazy affair, no
And who has time for tears,
Never thought I'd sit around and cry for your love,
'till now.

---

You're not here, Silent Hill 3 OST. Estava
caçando essa música há eras. Bom jogo.

(you never forgive me, I never forget you)

Paranoid II

Finished with my woman 'cause she couldn't help me with
my mind
People think I'm insane because I am not frowning all
the time
All day long I think of things
but nothing seems to satisfy
Think I'll lose my mind
if I don't find something to pacify
Can you help me? Occupy my brain
Oh yeah
I need someone to show me the things in
life that I can't find
I can't see the things
that make true happiness,
I must be blind
Make a joke and I will sigh and you will laugh and I
will cry
Happiness I cannot feel and love to me is so unreal
And so as you hear these words telling you now of my
state
I tell you to enjoy life I wish
I could but it's too late

---

yeah, it's just too late now. Onde estão as cidades de
ontem, as quais eu conhecia as ruas e as pessoas,
especificamente uma, acessório de Papai Noel...
a joke, and I sigh.

(you're the ghost haunting through my mind)

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Rotina

Olhou o relógio com os olhos entreabertos não acreditou no que viu já é hora de levantar puta que pariu um dia a menos ou um dia a mais sei lá tanto faz os dias são iguais fica na cama por mais dois minutos que se estendem a dez levanta a contragosto vai ao banheiro evita o espelho e não olha para o rosto face desbotada e olhar opaco as marcas da decepção liga o chuveiro ainda se sentindo fraco desânimo diário apatia distimia olha para a água escorrendo entre os dedos imagina uma poça de sangue na palma da mão flerta com o suicídio novamente mas longe de ser um desespero demente infantil pedido desesperado de socorro e atenção ato covarde para se encerrar uma vida fútil acredita em volta para casa no caminho percorrido até então agonia tristeza remorso e decepção verdadeira companhia única a solidão acalanto em noites que o vento sussura a melodia de uma canção desconhecida atrasado outra vez põe roupa rapidamente apressa pega o ônibus olha mas não vê a paisagem relembra de outras pairagens locais pessoas e momentos épocas rotas caminhos e distâncias a roleta-russa dos segundos é implacável não teme o fim tampouco a Morte amiga distante lembra de frase criada ou copiada é paradoxal viver de lembranças e morrer de saudades cansado crítico cético toca o foda-se por pouco perde o ponto olha em volta vasos vazios em janelas voltadas para muros que separam a razão da realidade passa por vultos cinzas olha para frente tenta enxergar a imagem como em um espelho embaçado não culpe o espelho se não gosta do que vê mate o mensageiro local cheio de pompa e arrogância é contra essa soberba intolerância sorrisos falsos cínicos e dissimulados hipócritas nenhuma relação social real aluga-se por dez horas diárias pessoas que nunca se importaram de verdade ligam querendo saber onde está o que está fazendo raiva ódio ira fúria abstrai ignora agora retorno que não o incentiva assim como o trabalho que faz volta ao cativeiro não tem para onde ir mas não quer ficar deita um teto não familiar um estranho morando de favor situação surreal inconscientemente ainda guarda a esperança de se encontrar com alguém em um lugar onde não há trevas trégua se queres paz te prepara para a guerra wenn du den frieden willst bereite den krieg vor si vis pacem para bellum uma foto foi o que restou se esforça para desviar esse tipo de pensamento da mente em ruínas a sensação indescritível que tem única herança lembrança drena as lágrimas cristalizadas pelo tempo prende um suspiro o mosaico cacofônico de recordações fatos mentiras e silêncio uma moldura cinza tonalidade afetiva depressiva de base ouve a música que consola a alma abre os olhos somente para verificar que falta pouco para tudo se repetir.

terça-feira, 29 de maio de 2007

O MARTÍRIO
SÃO JORGE

São Jorge mostra que você está revelando uma coragem incrível, encarando as mudanças necessárias. Talvez seja assaltado por lampejos de aflição e angústia, mas certamente dará conta do recado.

São Jorge era muito fiel a Jesus e o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. E ele sempre negava. E Deus honrou a fé de seu servo Jorge, de modo que muitas pessoas passaram a crer e confiar em Jesus por intermédio da pregação daquele jovem soldado romano.

Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus. Verdadeiro guerreiro da fé, São Jorge venceu contra Satanás terríveis batalhas, por isso sua imagem mais conhecida é dele montado num cavalo branco, vencendo um grande dragão. Com seu testemunho, este grande santo nos convida a seguirmos Jesus sem renunciar o bom combate.



pois é né...

Lógica brasileira

O Ministro da Agricultura japonês cometeu suicídio por ser flagrado em uma rede de favorecimentos; na China, um alto funcionário do Partido Comunista foi expulso deste Partido e condenado à morte, também por corrupção; na Alemanha, um executivo se matou quando descobriram que ele aceitou USD 80.000,00 de suborno. E por aí vai. Ao redor do mundo, a vergonha e a desonra realmente abalam o infrator, e o sistema também funciona para a auto-sanitização.

No Brasil, "o status se mede pela impunidade diante da Justiça e onde as normas de conduta, dos políticos em Brasília à polícia na rua, demonstram aos cidadãos que quem consegue sair ileso, pode continuar fazendo o mal". Os escrotos que roubam milhões são eleitos, e continuam fazendo a mesma coisa, com respaldo oficial. Não que deveriam ser mortos - pois seria uma saída muito fácil e cômoda para eles.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

caminhando contra o vento... (ou o tempo)

Paranoia
In which I think that I'm not confident
blood into my hands I can't deny
a buzz into my ears that makes me mad

But I don't look back

While I'm waiting to die
I don't look back
In a weird lullaby
I'll carry on

And the hope in my heart is dry

But I don't look back
and I cannot reply
I don't look back
while I'm waiting to lie
I'll carry on
While they want to decide for me

Once again

Living in their cage
They are killing me

Paranoia
In which I think I'm not that confident
a tiny hope that burns in my breath
a bitter smile delights me at the end


*When a dead man walks - Lacuna Coil*

Dica da semana: Resfenol com smirnoff ice black.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

déjà senti, parte II:

Às vezes eu me viro e agarro o seu cheiro, e não posso continuar, eu não posso continuar sem expressar esta terrível e horrorosa dor física agoniante da saudade que sinto por você. E eu não acredito que eu sinto isso por você ainda. E eu saio às seis da manhã e começo a minha busca por você. Se eu sonhei com alguma imagem de uma rua ou um bar ou uma estação eu vou lá. E eu espero por você. Vai se fuder. Vai se fuder Vai se fuder por me rejeitar por nunca estar lá, vai se foder por me fazer me sentir uma merda, vai se foder por me drenar o fodido amor e a vida, foda-se o meu pai por foder a minha vida pra sempre e foda-se a minha mãe por não tê-lo abandonado, mas acima de tudo, vai se fuder Deus por me fazer amar uma pessoa que não existe, VAI SE FUDER!!! Eu me recuso a lembrar de você novamente, me recuso terminantemente a continuar com esse círculo vicioso, brincando de esconde-esconde com a minha sanidade incessantemente!! E olho mais uma vez para a única foto que restou. Lembranças não podem ser apagadas como cigarros... mas são tão nocivas quanto.
Aversão a mim. Estou com nojo da minha própria pessoa. Toda vez que toca o telefone penso que é você... toda noite de insônia penso em te escrever uma carta definitiva, que não te dê alternativa, quem sabe perdoar o que puder ser perdoado e esquecer o que não tiver perdão... as coisas que protegemos, e as coisas que perdemos... existe somente uma pequena diferença entre elas.
Por que as pessoas que amamos sempre dão um jeito de sumir das nossas vidas, muitas vezes de um modo doloroso para nós?

Isso já aconteceu antes. E vai acontecer de novo. Resta saber o que foi aprendido da situação anterior que possa ser aproveitado para agora.

déjà senti:

Herança gélida.

Por que ainda lembro de você? Por que você insiste em permanecer na minha memória, um fantasma do passado, uma marca indelével? Estou aqui novamente naquele lugar tranqüilo...um lugar calmo. Tornaremos a nos encontrar onde não há trevas? Você foi embora antes mesmo de ter partido, mas, de alguma forma, permanece. A herança de um passado tão promissor, que tomou um rumo (não totalmente) inesperado. Nunca cheguei a te falar aquelas palavras. Não consigo dizer, e as palavras que guardei doem no meu peito. Novamente, a melodia de uma canção desconhecida. Crepúsculo iminente. A roleta-russa dos segundos é implacável... Sibilo a pergunta novamente, entre os dentes cerrados de ódio e decepção. Não me diga que é assim que tem que ser, que é melhor assim, você diz saber o que é melhor para mim, suas estimativas divergem da realidade.
O vento murmura alguma coisa. Você... ele me lembra você. Está aqui, sinto, ouço, mas quando tento tocá-lo, ele somente passa por mim. Imperturbável. Indecifrável. Vazio. Sinto as lágrimas que não conseguem emergir deste nada interior, um buraco negro que a tudo drena. Mas agora já não sei mais o motivo de ter voltado aqui. Este lugar, o aeroporto, a quadra onde você morava... sarcófagos de lembranças. Lugares que eu, inexplicavelmente insisto em visitar. Sei que não posso continuar revendo essas memórias como se fossem uma espécie de terço. Podem até dizer que eu parei no tempo, covarde demais para enfrentar a situação atual. Sim, estagnei em um lugar onde estava a vida quando esta ainda fazia algum sentido. Permaneço sozinho perante minha era de glória cristalizada. Estou imóvel por aquela voz psiquiátrica suave da razão que me diz que há uma realidade objetiva onde meu corpo e minha mente são um. Imóvel enquanto a sua voz se vai, os ecos dissipando-se como a brisa da madrugada, lentamente destituída de sua existência quando um novo dia amanhece. Novo? Outro? Diferente?