sexta-feira, 1 de junho de 2007

Rotina

Olhou o relógio com os olhos entreabertos não acreditou no que viu já é hora de levantar puta que pariu um dia a menos ou um dia a mais sei lá tanto faz os dias são iguais fica na cama por mais dois minutos que se estendem a dez levanta a contragosto vai ao banheiro evita o espelho e não olha para o rosto face desbotada e olhar opaco as marcas da decepção liga o chuveiro ainda se sentindo fraco desânimo diário apatia distimia olha para a água escorrendo entre os dedos imagina uma poça de sangue na palma da mão flerta com o suicídio novamente mas longe de ser um desespero demente infantil pedido desesperado de socorro e atenção ato covarde para se encerrar uma vida fútil acredita em volta para casa no caminho percorrido até então agonia tristeza remorso e decepção verdadeira companhia única a solidão acalanto em noites que o vento sussura a melodia de uma canção desconhecida atrasado outra vez põe roupa rapidamente apressa pega o ônibus olha mas não vê a paisagem relembra de outras pairagens locais pessoas e momentos épocas rotas caminhos e distâncias a roleta-russa dos segundos é implacável não teme o fim tampouco a Morte amiga distante lembra de frase criada ou copiada é paradoxal viver de lembranças e morrer de saudades cansado crítico cético toca o foda-se por pouco perde o ponto olha em volta vasos vazios em janelas voltadas para muros que separam a razão da realidade passa por vultos cinzas olha para frente tenta enxergar a imagem como em um espelho embaçado não culpe o espelho se não gosta do que vê mate o mensageiro local cheio de pompa e arrogância é contra essa soberba intolerância sorrisos falsos cínicos e dissimulados hipócritas nenhuma relação social real aluga-se por dez horas diárias pessoas que nunca se importaram de verdade ligam querendo saber onde está o que está fazendo raiva ódio ira fúria abstrai ignora agora retorno que não o incentiva assim como o trabalho que faz volta ao cativeiro não tem para onde ir mas não quer ficar deita um teto não familiar um estranho morando de favor situação surreal inconscientemente ainda guarda a esperança de se encontrar com alguém em um lugar onde não há trevas trégua se queres paz te prepara para a guerra wenn du den frieden willst bereite den krieg vor si vis pacem para bellum uma foto foi o que restou se esforça para desviar esse tipo de pensamento da mente em ruínas a sensação indescritível que tem única herança lembrança drena as lágrimas cristalizadas pelo tempo prende um suspiro o mosaico cacofônico de recordações fatos mentiras e silêncio uma moldura cinza tonalidade afetiva depressiva de base ouve a música que consola a alma abre os olhos somente para verificar que falta pouco para tudo se repetir.

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